sábado, 20 de dezembro de 2025

BJCP 2015 vs. 2021: Uma Conversa sobre a Evolução dos Estilos

BCJP Guia de estilos cervejas: lager, ale, stout, pilsner, sour, malte, lúpulo. Definições e termos.

Olá, cervejeiro e apreciador. Espero que este momento o encontre com um copo de algo interessante na mão, desfrutando de uma merecida pausa. Hoje, proponho-lhe uma viagem pelas regras do jogo — ou melhor, pelo guia de estilos que pavimenta o cenário global da cerveja artesanal: o Beer Judge Certification Program (BJCP).

Se você já folheou a edição de 2015, notou que ela representou um marco. Mas como a cerveja é uma arte viva, em constante mutação, o guia se atualiza. Vamos decifrar as sutis, mas significativas, mudanças da versão 2021, entendendo o que permanece e o que se moveu no panteão dos estilos.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Quando a descrição manda mais que o aroma: como a linguagem treina o paladar a sentir o que não existe

Descrição sensorial exagerada influencia a degustação de cervejas e cria percepções artificiais guiadas pela linguagem.

Antes do primeiro gole, a história já começou. Você lê que a cerveja oferece notas de manga ubá madura, mamão papaia suculento, maracujá doce e “um toque de marshmallow tostado”. A mente trabalha rápido. O aroma ainda não chegou, mas o cérebro está pronto para confirmar tudo o que acabou de ler. A degustação moderna sofre essa interferência constante: estamos condicionados a procurar aromas que a química nem sempre entrega. O resultado é uma ilusão elegante, construída por palavras que moldam a experiência com mais força do que se admite.

sábado, 13 de dezembro de 2025

O purismo importado como muleta: por que a defesa rígida da Reinheitsgebot limita a criatividade brasileira?

 

Cerveja artesanal brasileira com identidade própria: tradição, território e criatividade além da rígida pureza alemã.

A fermentação sempre favorece quem entende o terreno

A fermentação funciona como eixo silencioso da cerveja. Ela traduz o lugar, o clima, o malte disponível e os ingredientes que fazem sentido para cada região. Quando parte do público brasileiro insiste em pureza alemã como regra universal, surge um equívoco conceitual: a fermentação precisa de contexto, não de reverência acrítica. Importar a Reinheitsgebot como se fosse lei natural contraria a própria lógica histórica que moldou a cerveja.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Brinde com cabeça: escolher a cerveja certa para momentos que importam

Cervejas para celebrar grandes momentos: escolha consciente, estilos adequados, serviço correto e atmosfera adulta para brindes marcantes.

Uma comemoração ganha tom quando a bebida acompanha a motivo. Cerveja pode assumir papel coadjuvante discreto ou protagonista elegante — depende do rótulo, da ocasião e da atenção dada ao serviço. Este texto orienta escolhas práticas, explica características essenciais e oferece dicas para transformar um brinde rotineiro em uma experiência memorável, sem excessos nem pose.

domingo, 7 de dezembro de 2025

O Golpe do Amargor: como o mercado usa o IBU para manipular o consumidor — e por que você cai sempre

Análise objetiva do mito do IBU, com explicação química, teste sensorial e guia prático para avaliar amargor em cervejas.

Fermentação transforma açúcares em álcool e cria compostos que definem sabor, aroma e sensação. Entre eles estão os iso-alfa-ácidos formados na fervura do lúpulo, responsáveis pelo amargor clássico. É um fenômeno simples na química, mas o mercado decidiu transformá-lo em espetáculo numérico. O velho IBU, criado para padronização laboratorial, virou argumento publicitário. Em muitos rótulos, o número diz mais sobre marketing do que sobre a cerveja.

sábado, 6 de dezembro de 2025

A Farsa do “Artesanal”: Quando o rótulo promete independência — e o mercado entrega outra coisa

Cerveja artesanal perdeu sentido: marcas compradas por gigantes mantêm estética craft enquanto o mercado opera em zona cinzenta.

Fermentação é direta: leveduras transformam açúcares em álcool e aromas. O mercado, ao contrário, opera em camadas de marketing, fusões e zonas cinzentas. Enquanto o consumidor busca autenticidade, conglomerados compram marcas, microcervejarias imitam processos industriais e o termo “artesanal” se transforma em identidade estética, não em categoria técnica.

A questão não é demonizar gigantes ou canonizar pequenos, mas entender por que o rótulo perdeu valor informativo.

domingo, 16 de novembro de 2025

Lagers, ales e lambics: as três chaves que explicam o vasto universo da cerveja

Cervejas explicadas pela fermentação: diferenças entre lagers, ales e lambics, com história, aromas, estilos e harmonizações.

A maior surpresa do mundo cervejeiro reside no fato de que toda a diversidade sensorial — da leveza cristalina de uma Pilsner ao caráter selvagem de uma lambic — nasce de um mesmo ponto de partida: a fermentação. Compreender como cada família fermenta o mosto ilumina a identidade de cada estilo e torna a escolha do próximo rótulo um exercício mais consciente e prazeroso. A fermentação é o idioma da cerveja. Basta aprender suas três principais variações para interpretar quase tudo que se encontra no copo.